Novembro 26, 2009 por Daniel Lafayette
Queria chorar. Queria cair de desespero no chão do apartamento, mas não consigo.
Me olho no espelho e não me reconheço. O fulano me olha nos olhos. Parece um desertor de alguma guerra. De algum conflito que não tem solução. Parece a vítima ou o autor de algum atentado.
Quanto mais fujo, mais me envolvo. A vontade de me libertar é tamanha que atravesso as fronteiras inimigas. Corro o risco de pisar em uma mina.
Preciso sair. Já na rua, as pessoas me parecem peças que apodrecem num tabuleiro de carne. Inspiro toda aquela maldita realidade. Não me sinto muito diferente de um rato que se aventura fora do bueiro. A noite está nublada. Nem a lua me acompanha.
Compro um cigarro. Volto pro apartamento, caminhando entre corpos deitados. Me pergunto que sonhos terão esses infelizes. Acordo o porteiro, pego o elevador, abro a porta e vou até o espelho.
Quem é esse cara?
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Novembro 26, 2009 por Daniel Lafayette
Me cansei de contar piadas. Ando desanimado pra fazer graça. Eu sei que não posso me dar ao luxo. Semana que vem eu volto a colocar a maquiagem de palhaço. Talvez até lá o desejo de desenhar volte. É até provável.
Eu tenho tido mais vontade de escrever. O problema é que não me sinto tão seguro quanto quando crio minhas tiras, e fico com a impressão de que vou parecer meio ridículo. Afinal, isso aqui era pra ser um blog de tiras.
Mas tudo bem. Isso aqui é apenas um blog de um cara meio paranóico. Grandes merdas, certo?
Vou postar aí em cima algumas coisas que escrevi durante uma dessas noites meio conturbadas. Espero que lhes desperte algum interesse.
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Novembro 23, 2009 por Daniel Lafayette

Teve bastante gente bonita. Teve gente feia também, mas todos tinham algo em comum; um amor pungente por essa preciosa revista. Foi lindo. Todas as almas alí presentes entraram em comunhão. Dado momento, entoamos a canção Age of Aquarius e saimos pelas ruas colorindo de amor e felicidade o paupérrimo bairro de Ipanema. O sol, como prova da existência divína, dançou, e em sua dança escreveu o nome “Beleléu” na retina dos incrédulos observadores. Todos se abraçaram, a maconha foi legalizada, os fumantes voltaram a poder fumar nos bares, todas as guerras cessaram e um chinês, enquanto esquentava yakisoba no microondas, teve uma epifania e descobriu a cura para o câncer. E gritou “Euleka!”.
Exagero?! Tudo bem, eu talvez esteja floreando meu relato mas foi bem bacana.
E não percam nossa entrevista com o Amaury Jr.
Obrigado, Alzira!
Na foto; El Cerdo, Stêvz, Arruda e eu. Mais fotos do evento serão publicadas no blog da Beleléu.
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Novembro 19, 2009 por Daniel Lafayette
Isso mesmo!!! Biscoito Globo e cerveja, cara!!!
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Novembro 16, 2009 por Daniel Lafayette

Uma pomba entrou em meu apartamento. Seria ela portadora de boas notícias ou de toxoplasmose? Como minha vida não melhorou desde então, aposto na segunda hipótese.
Pousou primeiro na ponta da cama. Acho que ela estava menos espantada do que eu. Desliguei o ventilador com cuidado e voltei a observá-la. Depois de um tempo, cansada, começou a fechar os olhos e levantou uma das pernas. Pensei – Tem uma pomba dormindo em minha cama.
Quase desci para ir tomar uma cerveja enquanto ela descansava. Era uma visita inesperada, mas tratei-a como qualquer visita. Por pouco não perguntei se ela queria algo da rua. Por pouco, pois acabei não descendo. Era óbvio que eu não poderia deixar aquela inquilina tão a vontade.
Depois de ela ter descansado um pouco, resolvi que era hora de despachar a intrusa. Ela voou pra cima dos DVDs (pousou precisamente em cima de Um Estranho no Ninho, pá-dá-tz!), depois pra cima da luminária. E quando achei que ela fosse sair pela janela, acabou deitando em cima do suporte da persiana. Sacana. Tentei mais uma vez assustá-la e dessa vez foi pousar em um copo (foto). O dia estava realmente monótono até esse encontro inesperado, portanto tive paciência.
A pomba não queria sair de jeito nenhum. Apenas isso já me fez criar certa “empatia” pelo bicho, mas eu sabia que se não desse cabo do problema naquele instante, em dois minutos a pomba já teria um nome. Imbuído de determinação e crescente impaciência, consegui colocá-la pra fora, sem criar maiores traumas à Filomena. Digo, à pomba.
Claro que poderia ter sido mais esquisito. Se entrasse pela janela um ornitorrinco pendurado em balões de gás, certamente teria sido mais desconcertante. Mas ainda assim, acho que foi digno de nota.
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Novembro 15, 2009 por Daniel Lafayette
O que é o lugar em que vivemos se não nosso próprio espelho.
A Glória é deprimida. A Glória é decadente. Prostitutas aposentadas fumam seus últimos cigarros no bar. Pessoas que se perderam, perdendo a esperança de um dia serem resgatadas.
A Glória é uma ferida aberta. É o potencial se dissolvendo. Aqui aprendi a desamar, e o desamor nada mais é do que uma sutil vingança. O amor é leve e cambaleante, como uma pomba doente. O desamor, uma vacina dolorosa.
É um vacilo. É uma escolha. É o que há.
É um porre, mas é o meu porre. A Glória agora é o meu lar.
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Novembro 10, 2009 por Daniel Lafayette
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Novembro 7, 2009 por Daniel Lafayette

Estou pensando em voltar ao mesmo bar e pedir um Hollywood.
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Novembro 7, 2009 por Daniel Lafayette
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